por Fabio moreira Leite
O desenho é um trabalho e por isso uma capacidade.Pat sabe que Hokusai aos 80 anos ainda dizia que não sabia desenhar.
A natureza é segundo nossa capacidade concreta dita infinita, uma vez que não existem duas folhas de matrilinear nem desenhistas absolutamente idênticos. Senão a partir de alguma estúpida clonagem genética, éticamente inadimissível.
No reino do que vemos e não do que somos capazes de relatar verbalmente o desenho é uma rede de estratégias de designação que o desenhista desenvolve para enfrentar afinal qual é o peso real do fenômeno vizível que permanece mudo e no fundo de nossas palavras.
Pat enfrenta esta questão quando busca afinal que desenho alguém precisa quando quando
lhe contratam ou lhe propõem atos como artista gráfica.
Sem ir contra o desenvolvimento de suas capacidades gráficas, pat põe o requizito do outro como base de seus atos gráficos.
E por isso se entende porque Pat expõe sua individual numa livraria engajada na luta pelos direitos da mulher, e está fazendo ilustrações pro Liberazione, não é só porque nosso mentor intelectual em comum o sociólogo brasileiro Alfredo Carmo era socialista. Mas também porque ele era um sociólogo que sabia quem precisava de sua sociologia sem o adendo da popularidade política como foi o caso de seu colega de geração Fernando Henrique Cardoso, mas sim segundo a eficácia do ato científico.
Qual é o limite entre a alienação do trabalho pela vontade do outro e a própria liberdade de manifestação autêntica de cada um de nós no interior do que é comum?
E aqui a natureza a ser desenhada felismente se torna menos inóspita em sua extensão e a artista gráfica se debruça sobre sua arte como um ser humano que compreende que a umidade das palavras delimita a infinitude dos fenômenos civilizando a expressão gráfica antes perdida na ilusão de existência do infinito.
Marx para pensar o infinito, numa das críticas da Sagrada Familia, argumentou que o infinito só poderia ser pensado como uma capacidade de realização infinita, coisa que certamente extrapola a nossa inevitável finitude e que por isso o infinito não existe senão idealisticamente.
E também por isso entendo a alegria, dignidade e coerência que Pat produz com esta exposição: aproveitem a imensa liberação paisagística e perspectiva que ela produziu especialmente para expor nesta livraria que tem a dignidade e valor do trabalho social como um dos fundamentos da úmida história humana das palavras em comum sobre a inesgotabilidade das imagens que percebemos.
Não é nem a sociologia nem a arte acadêmicas que têm que “matar um leão de raiva por dia” para compreender inteiramente o que é o outro, mas sim a sociologia de Alfredo e a arte de Pat que se encontram na luta da liberação concreta do que sabem em prol do ambiente social que criam e tornam habitável por seus atos.
Por certo o contrário disto estará em imagens na realidade da rua próxima a galeria, e até no espaço entre os desenhos e o nariz de quem os olhar. Mas não esqueçam a alegria e a amplidão de perspectiva destes desenhos de Pat elas são o testemunho de que todo trabalho pode ser arte, como dava a entender Beuys e Duchamp que também desistiu da grande arte em prol das artes gráfica, porque a realidade humana não passa de uma construção num infinito que não existe.
E assim admirem a liberação de espaço da paisagem brasileira que pat lhes apresenta, vocês já ouviram falar disso? Notem que nos espaços abertos dos objetos das paisagem e ambientes mostrados há também um deserto. Não se esqueçam já existe um deserto no Brasil "signori europei".
São Paulo, Novembro 2005.
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PATRICIA CARMO BALTAZAR CORREA
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